CC Radio Portugal

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

É a ultima vez que te respondo

Estava a olhar para o meu telemóvel e vi a data. Antes disso tu eras presente, estavas ali e tentavas, tentavas, eu tentava também e tinha quase a certeza de que nós tínhamos algo para dar certo quando tu me chamaste para ver um filme fraco. Eu ri da escolha, ri do filme e ri na hora em que tu deitaste a cabeça no meu ombro, porque eu espero sempre por esse momento.

Eu deixo sempre as pernas cruzadas e ponho as mãos estrategicamente semi abertas nas coxas. Braços encostados e eu suo, nem vejo o filme direito, à espera para ver se tu me dás a mão e encostas a cabeça em mim. Tu fizeste tudo isso e nem faz muito tempo, então quando foi que tu desististe de mim?

Foi naquela festa que tu deixaste de ir para veres os teus pais. Foi naquele musical que eu estava louco para te levar, mas tu tinhas que ir jantar com uma amiga tua. Foi no cinema da outra semana que tu só me avisaste que não ia dar no dia seguinte. E de lá para cá eu sou remédio, tu tomas-me em doses homeopáticas, tu deixas-me num cantinho e esqueces a bula, esqueces de seguir de tempos e tempos até que paras de me tomar.

Estava a olhar para o telemóvel e a lembrar-me de tudo. Está bem, não foi assim tão longa a coisa toda, mas ainda assim foi alguma coisa. Teve o procedimento padrão das borboletas no estômago, dos abraços apertados e da conchinha, de acordar mais cedo só para tomar café juntos, de analisares as minhas tatuagens e perguntares se eu não queria viajar contigo mais tarde. E é isso que me mata: tu tinhas planos. Ou parecias ter. Quando foi que tu desististe deles e não me avisaste? Fico com a impressão de que comprei as passagens de avião e vou embora sozinho. O banco do lado fica vago, no teu lugar não vai mais ninguém. Melhor para mim, posso deitar-me no banco todo. Melhor para mim, é o que eu tento dizer a mim mesmo.

Ontem tu mandaste-me algo mas depois deixaste de responder. É favor não alimentares as minhas esperanças, se tu soubesses como o animal que mora aqui reage, tu lerias a placa. Mas tu alimentas. De tempos em tempos, sem tempo o suficiente para ficares. Não é sobre mim ou sobre ti, é só mais uma história com ponta solta e um final – se é que eu posso chamar de final – sem fim. Tu dizes olá e eu respondo, meto um assunto na conversa e tu ris. Morremos nas apresentações quando eu achava que já te conhecia.

Digito alguma coisa e tento não pensar muito nisso. Não importa mais agora, já segui em frente, só tenho que devolver o teu casaco e repetir cinco vezes em frente ao espelho antes de sair de casa que eu não quero mais, estou bem sem ti, juro. É só que eu queria ter tido algo, ponto final, nada fora do comum. Daí tu perguntas algo. E eu fico relutante, mas respondo. Três dias depois tu perguntas de novo, demoro um pouco e respondo. Não consigo disfarçar o imediatismo. Agora já faz três dias que tu disseste que já voltavas e não voltaste, acho que era um recado. E agora o telemóvel vibra, acontece tudo de novo, não sei o que faço, está tarde, eu preciso dormir. E agora eu olho para o ecrã e digito e apago, digito e apago. Resolvo responder, mas amanhã eu falarei de novo cinco vezes em frente ao espelho para ver se dá jeito e resulta. Desligo a internet e deito-me satisfeito. E, de novo, eu prometo para mim mesmo que nunca mais te vou responder. Até à manhã seguinte.

Daniel Bovolento

Um verdadeiro homem não hesita quando encontra a mulher da sua vida!

Passamos a maior parte das nossas vidas à procura da mulher certa, no entanto, quando a encontramos, nós hesitamos. Falhamos em dar o passo necessário antes que a possamos chamar de nossa.
O que esse passo significa exactamente pode variar entre casais, tal como varia em diferentes estágios de qualquer relacionamento. Seria de pensar que assim que fizesses esse tipo de compromisso, o próximo compromisso que precisarias de fazer seria mais fácil — mas usualmente não é o caso.
Quer estejas a decidir chamar a tua miúda de namorada, dizer-lhe que a amas, pedir-lhe para ir viver contigo ou chamá-la de tua esposa, estas são as decisões que tu inevitavelmente precisas de fazer.
A hesitação não é tua amiga. Claro, precisas de pensar suficientemente bem nessas decisões, mas nunca deves hesitar sem motivo aparente; um verdadeiro homem não faz isso.
Um verdadeiro homem toma decisões difíceis porque sabe que essas decisões têm que ser feitas. Um verdadeiro homem não hesita quando encontra a mulher certa, porque:

Ele percebe a sorte que tem.

Um homem de verdade é um homem com experiência; ele passou por relacionamentos falhados e conheceu mulheres erradas suficientes que quando encontra a mulher certa, ele tem a certeza do que encontrou.
Ele não hesita porque — no que lhe diz respeito — ele acabou de ganhar a lotaria, e que homem é que espera para reclamar o prémio?
Porque deveria ele esperar para lhe dizer o quanto ela significa para ele? Ele não vê sentido nenhum nisso.
A sorte não dura para sempre, e ele sentirá a necessidade de a agarrar antes que outro homem se intrometa entre eles.
Com biliões de pessoas neste planeta, encontrares alguém com quem acreditas poderes partilhar a tua vida é surpreendentemente raro.
Tal como um raio que não cai duas vezes no mesmo sítio, nem ele quer lançar os dados e esperar pela sorte novamente.

Ele é maduro o suficiente para aceitar um compromisso.

Não é que ele não tenha medo de compromissos — a maioria das pessoas tem — é que ele está pronto para mergulhar nessa onda. Ele está preparado para fazer todas as trocas necessárias porque ele acredita que a sua mulher merece isso e muito mais.
Ele pode ter algum medo do compromisso, mas certamente não foge dele; ele enfrenta os seus medos — tal como um homem. Da mesma forma, ele está mais do que pronto para qualquer compromisso, sem qualquer pensamento assustador.
Ele talvez queira nada mais do que assentar e amar a sua mulher com todo o seu coração. Ele pode estar pronto para dedicar toda a sua vida a ela. Embora tenha ou não medo de compromissos, desde que esteja pronto para se dedicar exclusivamente a ela, ele é um verdadeiro homem.

Ele quer que ela perceba o quão magnífica ela é e o quanto significa para ele.

A maior parte dos homens, por mais confusa que seja a razão, acreditam que uma mulher percebe o que significa para eles. Infelizmente, o contrário mais frequentemente aparenta ser verdade.
A menos que ela seja algum tipo de vidente, tu precisas de usar as tuas palavras — e as tuas acções. Tens que estar lá para ela, dizer que a amas e mostrar-lhe o quanto ela significa para ti.
Um homem de verdade percebe isso e, além do mais, percebe o importante que é a sua mulher perceber que ele a ama.
Hesitação mostra-lhe a tua incerteza. Isso mostra que embora digas que estarás sempre lá para ela, tu podes muito bem levantar-te um dia e desaparecer.
Podes pensar que a hesitação não é percebida, mas na realidade, frequentemente causa danos incríveis.

Ele tem medo de a perder.

É verdade. Um verdadeiro homem tem medo de perder a mulher que ama e não tem medo nenhum de admitir. Quando conheces a mulher certa, deves ter medo de a perder, quer seja para outra pessoa ou para uma das muitas tragédias da vida. Deves ter medo.
Ela tornou-se a sua vida, e se for para a perder, ele irá perder a si mesmo — a pessoa que ela o ajudou a ser. Ela é tão parte dele como ele é parte dele próprio.
Ele tem medo pela mulher que ama e aceita os seus medos; ele abraça-os. Ele deixa que isso o guie e o ajude a perceber o quão importante esta mulher é realmente para ele.
Homens de verdade têm medo — têm mais medo do que o resto dos homens. Não é um sinal de fraqueza, mas sim um sinal de auto-compreensão.

Ele acredita que ela merece o mundo, e está preparado para lhe dar.

Ele quer ser o tal que a leva a conhecer novos locais, novas comidas, vinhos e aventuras. Ele quer ser o primeiro na maior quantidade de experiências possíveis porque, tal como ela é parte dele, ele deseja ser parte dela.
Ele quer que ela um dia olhe para trás e relembre todas as suas fantásticas aventura e sorria – é tudo o que ele se preocupa. Ele está interessado em fazê-la sorrir, em fazê-la sentir-se bem com ela própria, com a sua vida, com as suas experiências e sua decisões.
Decidir com quem deves passar o resto da tua vida é indiscutivelmente a decisão mais importante que uma pessoa pode fazer na sua vida.

Ele não consegue pensar em nenhuma razão para demorar mais um minuto que seja.

Nenhuma razão boa, pelo menos. Claro, ele pode inventar desculpas ou conjurar alguns faz de conta e cenários altamente improváveis, desilusões até, para fugir da possibilidade de partir o coração. Homens de verdade não fazem isso, no entanto, cobardes sim.
Ele não consegue pensar em nenhuma boa razão para hesitar, para esperar mais um minuto que seja antes de lhe mostrar exactamente o que sente, porque não existe nenhuma. Ela é a mulher certa. Se ele deseja ser o homem certo, ele tem quer decidir ser – e isso começa com o primeiro passo.
Frequentemente, as pessoas escolhem não ver todas as boas razões para partir, para desistir. A maior parte dos relacionamentos está condenado porque são entre dois indivíduos que não podem trabalhar juntos.
Mas quando encontras a pessoa certa, não existem razões para resistir.
Podes encontrar desculpas de m*rda, mas são apenas desculpas. Um verdadeiro homem é honesto com ele próprio. Quando ele sabe que encontrou a mulher certa, ele torna-a na sua única mulher!

Desconheço autoria

Quem quer faz acontecer

O querer tem pressa, acontece assim mesmo sem adiar, na hora certa, exata. Quem te quer, quer ver-te agora, procura por ti hoje, não amanhã. Independentemente da distância ou do horário que for, quem quer não deixa para depois as coisas que podem ser feitas hoje. Quem deseja ficar, simplesmente fica, sem ser necessário pedir, sem ser necessário implorar. Quem quer cuidar, cuida verdadeiramente com amor. Quem quer, não suporta ficar longe, não suporta saudade e não vai poupar esforços para te ver e te ter.

Quem sente vontade transforma a distância em abraço apertado, faz de dias chuvosos dias ensolarados. Quem quer é capaz de tudo, de correr na chuva só para te ver, de se atrasar para um compromisso importante porque tu ainda não terminaste de te arrumar. Quem quer não vai pensar duas vezes entre ver-te agora ou deixar para amanhã, não vive de conversa furada, não arruma desculpas para justificar a ausência.

Quem tem saudade da tua voz, vai ligar-te de madrugada. Quem tem necessidade de estar contigo, vai procurar-te para conversar e perguntar como foi o teu dia, mesmo sabendo que a tua rotina é sempre a mesma. Quem te quer fazer bem, vai tocar a campainha, vai saber a melhor hora de mandar uma mensagem ou ligar, vai lembrar-se de levar aquela tua comida preferida para te alegrar nos dias menos bons.

Quem quer, não vai reservar aqueles 20 minutos do dia, vai dar-te a vida e ensinar-te que quando existe amor, nós queremos mais do que alguém para preencher o espaço do final de semana, queremos alguém para preencher o vazio do coração. Quando a gente quer, a gente aprende com o outro, a gente soma e abriga e se torna abrigo de mundos diferentes e tão iguais.

Quem quer vai abrir-se contigo, sem medo. Quem quer vai divertir-se contigo, segurar as tuas mãos e não soltar. Quem quer vai permancecer na tua vida, e não vai pensar em sair. Porque a tua presença vicia.

Quem quer ficar vai tomar café da manhã e ficar para o jantar. Vai deixar-te descobrir cada detalhe do seu corpo e da sua personalidade, conhecer os seus medos, os seus segredos, os seus erros, os seus defeitos e as suas qualidades. Vai dizer-te mil coisas no silencio, só com o olhar. E vai despedir-se sem tirar nenhum pedaço de ti, deixando-te com aquela sensação de liberdade e ao mesmo tempo de vontade de viver mais ao lado da pessoa. Quem te quer repete a dose, toma o teu sabor, experimenta as tuas aventuras. Porque quem quer, fica, faz acontecer. Quem não quer, inventará uma desculpa.

Rhaquel Rocha

Silencio

Eu importei-me demais, talvez tu nunca imagines o quanto eu fui louca por ti. Eu fiquei cega, fui inconsciente e imprudente com as minhas atitudes. Abri mão de muita coisa, estendi os meus dois braços e servi como apoio, quando a tua estrutura estava frágil. Por diversas vezes eu me prejudiquei, mas nunca falhei contigo.

Sempre estive adiantada, com surpresas, com um colo quente, com um carinho antes de dormir e, principalmente, com a minha indescritível ânsia em te fazer bem, em te oferecer tudo aquilo que eu julguei que tu merecesses ter e sentir.

Acho que eu fui demais, para alguém de menos. Atropelei as nossas diferenças que, cedo ou tarde, eu sabia que me iriam dar um murro na cara.

Dito e feito, eu apanhei e acordei para a vida…

Quando os relacionamentos começam, temos o defeito de acreditar que estamos a viver um conto de fadas. Nós nos iludimos com quase qualquer coisa. Fazemos imensos planos com alguém que nem conhecemos. Depositamos a nossa própria felicidade em alguém que nos encantou com um beijo, um abraço, um gesto ou qualquer detalhe fascinante, ao nosso ver. Somos apegados a comparações e, por isso, qualquer mínimo se torna máximo. Depositamos confiança e expectativas em alguém, praticamente, desconhecido. Apostamos em algo que, aceitando ou não, muitas vezes o coração já previu o final.

Ao longo desse tempo, eu tentei fazer-te a pessoa mais feliz do mundo. Eu ofereci-te o que estava ao meu alcance e, mesmo quando não estava, eu encontrei uma solução para o conseguir. Tu sabes, como ninguém, o quanto eu sou leal à pessoa que caminha ao meu lado. Eu brigo, sim. Mas também sei tomar as dores do outro, sei defendê-lo, sei colocar o céu como limite. Sei levar às estrelas, sei levar a ver cada pôr do sol. Eu sou tudo o que tu nunca tinhas tido, tudo o que tu nunca tinhas conhecido. Tu me chamavas, eu corria ao teu encontro. Tu estalavas os dedos, eu aparecia em baixo do teu nariz. Não, isso a meu ver não é ser inocente ou ingénua. É amor. Tu já gostaste verdadeiramente de alguém? Ou já desejaste muito que a tua relação desse certo? Pois bem, se a resposta for sim, então tu sabes que quando nós amamos alguém, nós simplesmente fazemos acontecer. E acontece. De um jeito natural, intenso e gostoso.

Sabes aquela pessoa que tu conheceste e por quem te apaixonaste? Não sei se tu reparaste, mas ela não existe mais. Ela morreu aqui dentro. E tu, com todos os teus deslizes e fracassos, foste o responsável por isso. E não adianta me pedires para eu voltar a ser o que eu sempre fui, acabou. Não tem mais jeito. E, sabes, a cada dia, tu me mostras que realmente nós dois não nascemos para somar. Tu só me subtraíste, me diminuíste. É triste, e bastante doloroso. Levei muito tempo para compreender e aceitar. Chorei, quieta e na minha. Discuti por intermináveis vezes, expliquei o meu ponto de vista uma, duas, três vezes e além. Citei claramente o que me faltava, e continuei a ser o que, muito provavelmente, depois de algum tempo tu nem merecias mais. Fui mulher para te desculpar, e tu foste covarde em repetir os erros.

Sou incapaz de ser novamente aquele alguém que tu conheceste e por quem te apaixonaste. Muita coisa mudou para mim, para nós. Eu já não estou mais tolerante, muito menos paciente. A idade vai passando e, tudo o que eu quero, é uma pessoa que me assuma. Que bata no peito, que enfrente o que for preciso, que me apoie e que permaneça sempre comigo. Eu não sei lidar com imparcialidade. Eu não sou assim. Tu estás a falar com alguém que apanhou muito, com feridas incuráveis. Talvez, hoje, tu não entendas o que é entregar-se de corpo e alma, mas eu tentei mostrar-te de todas as formas. Desenhei, fiz mímica, escrevi e quase cantei para chamar a tua atenção e te fazer perceber que eu já estava distante demais dos teus sonhos egoístas. Se tu não consegues interpretar o significado da palavra reciprocidade, não faz sentido o meu desgaste em tentar mostrar-te. Amanhã eu tenho a certeza que tu vais aprender. Mas será tarde demais, eu já estarei fora do teu alcance.

Eu não te encontro mais na minha prospecção de felicidade. Não idealizo, não fantasio e não insisto. Talvez tu culpes a vida, ou a mim, por não ter dado certo. Mas eu continuo a afirmar que, quem não cuida, não merece ter. Se eu realmente fosse tua, como tu dizes, tu farias qualquer coisa por mim. Mas não, manter-se na comodidade e na mesmice dos teus atos sempre foi e sempre será mais conveniente para ti. A única diferença, é que eu não estou mais disposta a aceitar que tudo seja do teu jeito. As tuas palavras já não têm mais valor, promessas são apenas promessas.

O meu silêncio para ti, traduz tudo o que eu insistia em reafirmar e que agora já não faz mais sentido. A partir de agora guardarei a minha saliva para o que realmente for necessário ser dito. Eu tenho aceitado, aos poucos, ficar sem ti. Mas tu, como sempre, entretido a valorizar terceiros, estás a deixar passar tudo despercebido. Quando caíres em ti e olhares para a frente, eu já estarei bem atrás.

Como alguém que fez de tudo para ser notada e que agora tornou-se o teu passado.

Se tu quiseres falar, sou toda ouvidos…

Mas para mim, francamente, o fim é o futuro certo.

Jéssica Pellegrini

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Pensamento do dia

"O homem ideal antes de ser seu parceiro, tem que ser o seu melhor amigo. Se tal não aconteceu, então ganhou dignidade!"

domingo, 3 de abril de 2016

Desculpa, mas amo-te...

Eu queria dizer-lhe que o amava.
Dizer-lhe:

Olha, desculpa mas amo-te. Aconteceu.
O meu lado lunático vem ao de cima sempre que me lembro do que não passámos, e das noites que durmo sem ti.
Deixo de ser o que sou por ti.
Começo a ouvir a tua música, a deitar-me às horas a que te deitas, e a acordar a meio da noite sempre que precisares e entenderes.
Ninguém nos vai dizer que as noites são para dormir.
Defendo-te de tudo, e de todos.
Torno uma relação imoral, numa história bonita para contar aos nossos futuros filhos.
Hei-de te dar sempre a mão, mesmo quando o caminho for inconstante, e me falte as forças nas pernas.
És maior que eu, mais pesado que eu, mas eu amo-te pelos dois, e uma mulher que ama, luta por dez homens.
Mudo por ti.
Faço o que quiseres por ti.
Já te disse hoje que foste a pessoa com que tive mais orgasmos, e nunca estivemos juntos?
Alimentava-te a alma, alimento-te o corpo.
Traz as malas.
Desculpa, mas amo-te.
Mas nunca lhe disse. Fiquei quieta, e só as paredes da minha casa e os lençóis da minha cama sabem o quanto te quis em dias normais.
O teu sorriso, e o teu discurso pouco certo, estão-me entranhados na pele.
A tua cara assombra-me sempre que me tento deitar no peito de alguém.
Não consigo encontrar encanto nas pessoas que me passam ao lado na rua, nem a quem me sorri na noite.
É que sabes, procuro um bocado de ti em quem se cruza comigo, e tu és tão fora do normal, que me fazes chegar sozinha a casa, todas as noites.
Eu não tenho medo dos barulhos cá de casa, mas a casa sabe a tua voz. E ecoa-a em todo o lado.
No meu quarto e na sala. Às duas da tarde, ou às quatro da manhã.
És louco, e meteste-me a mim mais louca do que já era.
Talvez seja por isso que gosto tanto de ti.
Por ter encontrado alguém que me mostrou que ser diferente é o totoloto numa multidão cheia de gente sem sal.

Queria ter-te dito tanta coisa, mas acabei por nunca te dizer nada.
Tu não me conheces, e eu provavelmente não te conheço assim tão bem quanto penso.
Mas sentir que eras uma parte de mim, por mais pequena que fosse, foi o que me bastou para te tentar encontrar, em todas as esquinas que não nos cruzámos.
Evito olhar-te nos olhos, porque um dia alguém me disse que são o espelho da alma.
E a minha está carregada de momentos, palavras e horas, que não existiram.
Continuas a ser o fantasma mais presente na minha vida, e se nunca estás onde estou, então não sei porque te vejo sempre em mim.
Dispo-me e penso em ti. Todos os dias, me traio com a tua imagem. Foi a forma mais bonita que encontrei, de me lembrar do que não vai acontecer.
Estar contigo no pensamento.
Que o amor nos leve para longe um do outro.

Texto de: Inês Alegre
In: SM